domingo, 18 de outubro de 2009

CUIDE DA SUA SACOLA PLÁSTICA


Após alguns dias na Inglaterra, decidi que era hora de fazer as minhas primeiras compras e, por este motivo, fui ao supermercado local. Foi justamente lá que me lembrei de algumas das notícias que li no Brasil sobre o problema das sacolas plásticas na Europa. Na ocasião, eu me lembrava de ter lido que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, havia assinado um documento no qual os supermercados ingleses deveriam “deixar” de dar sacolas plásticas para os clientes.

O objetivo do político era o de tentar diminuir o número de sacolas plásticas que circulam pelo país. Apenas para termos uma idéia, em 2006, a quantidade era de 718 milhões de sacolas, de acordo com números divulgados pelo secretário de Meio Ambiente, Hilary Bern.

A preocupação do Governo Britânico se dá principalmente pelo tempo que uma simples sacola plástica leva para se decompor. Para termos uma idéia, o papel, por ser um material orgânico, acaba sendo biodegradável e demora de três a seis meses para se decompor. Um simples filtro de cigarro demora cinco anos. Já um pedaço qualquer de plástico vai durar 100 anos na terra sem se decompor. O saco plástico que você pega no supermercado e depois joga no lixo ficará na natureza por 450 anos.

A solução encontrada pelo Governo Britânico foi a de vender sacolas que são feitas de um plástico mais resistente, ou de tecido, e por isso, que podem ser utilizadas inúmeras vezes. Os próprios supermercados passaram a comercializar esses materiais, que custam cerca de 50 centavos de libra. Uma forma que o governo britânico encontrou de encorajar a utilização dessas sacolas reaproveitadas foi através da comercialização das sacolas tradicionais, que ainda são encontradas nos supermercados. Desta forma, além dos produtos, para cada saco plástico, o cliente paga cerca de 10 centavos de libra. Pode parecer pouco, mas em uma compra grande o cliente pode desembolsar até £ 1 apenas nas sacolas.

E o resultado parece estar dando resultado, afinal é bastante comum ver clientes saindo dos supermercados com as suas próprias sacolas reutilizáveis. Eu próprio já comprei a minha (foto). Os números também são favoráveis, já que a expectativa de sacos plásticos que serão utilizados na Inglaterra para 2009 é de cerca de 372 milhões de bolsas.

A iniciativa é mais do que interessante e nos leva a um possível debate sobre políticas semelhantes em nossos países. No Brasil, estima-se que 1,5 milhão de sacolas plásticas são consumidas a cada hora. Com uma conta rápida chegamos aos 36 milhões em 24 horas. Fica o bom exemplo inglês.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FEIJÃO COM ARROZ

Morar em outro país já é sinônimo de conhecer e ter que conviver com uma cultura diferente daquela na qual estamos acostumados. E de todos os aspectos que podem ser considerados importantes em uma fase de adaptação, a questão da culinária é um dos aspectos que mais vai fazer um recém chegado sentir falto do seu país de origem.

Acostumado com o tempero brasileiro, estou tendo na culinária inglesa a mais árdua prova de adaptação. É quando a fome aperta que problemas de comunicação com os diferentes sotaques ou um frio de 10 graus em pleno verão ficam sem importância. E que fome passei nos primeiros dias. Tentei ir a um restaurante para almoçar no meu primeiro dia aqui, mas simplesmente não consegui gostar da comida.

Um amigo brasileiro me perguntou qual é a comida típica daqui. Eu respondi com uma outra pergunta: você já viu algum restaurante com comida inglesa? Pois é, eu também não e agora entendo o motivo. Em todo o planeta existe restaurante italiano, português, chinês, japonês, etc, etc, etc.

No meu segundo dia encontrei um self service e achei que meus problemas estavam resolvidos... Mal sabia eu que estavam apenas começando. Eu simplesmente olhava para a comida e não conseguia sentir vontade em comê-la e é bom lembrar que eu estava com muita fome. Cadê o frango a parmegiana? O camarão ao catupiry? O feijão preto com arroz? A lasanha de frango? A comida inglesa tem batatas, brócolis e um macarrão que parece miojo.

Após esse segundo almoço, comecei a caminhar pelo centro de Nottingham. De repente, meus olhos brilharam e meu sorriso se abriu com o que vi. E se eu estivesse em um filme, estaria tocando Aleluia no exato momento no qual avistei um McDonalds. A felicidade é fácil de ser compreendida já que arede de fast food norte-americana é um dos poucos lugares do mundo no qual a comida tem o mesmo sabor independente do país. E foi lá que tive a minha primeira refeição descente. E a segunda, assim como a terceira...

Mas eu não podia comer todos os dias no McDonalds e decidi fazer o que deveria ter feito desde o começo: aprender a cozinhar e fazer a minha própria comida. Foi no meio das tentativas de aprender a cozinhar, incluindo receitas baixadas no Google, que as minhas aulas começaram. No horário do almoço deste primeiro dia no campus, decidi arriscar e ver o que a cafeteria da universidade poderia me oferecer. Novamente, ao som de Aleluia, percebi que entre as opções do self-service, haviam opções que me eram bastante familiares: feijão e arroz.

Foi praticamente em câmera lenta e parecia que aquela seria finalmente uma refeição descente. O feijão tinha uma aparência deliciosamente boa. Parecia exatamente igual ao que eu comia diariamente no Brasil. Por esse motivo, coloquei o máximo que pude no meu prato. No espaço que sobrou, coloquei arroz. Peguei, me sentei e, como em um sonho, fui dar a primeira garfada. Foi neste momento que a música parou de forma brusca e a minha expressão fácil foi transformada. E esse foi o dia no qual eu descobri que o feijão na Inglaterra é feito com molho de tomate e por isso, é doce.