quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FEIJÃO COM ARROZ

Morar em outro país já é sinônimo de conhecer e ter que conviver com uma cultura diferente daquela na qual estamos acostumados. E de todos os aspectos que podem ser considerados importantes em uma fase de adaptação, a questão da culinária é um dos aspectos que mais vai fazer um recém chegado sentir falto do seu país de origem.

Acostumado com o tempero brasileiro, estou tendo na culinária inglesa a mais árdua prova de adaptação. É quando a fome aperta que problemas de comunicação com os diferentes sotaques ou um frio de 10 graus em pleno verão ficam sem importância. E que fome passei nos primeiros dias. Tentei ir a um restaurante para almoçar no meu primeiro dia aqui, mas simplesmente não consegui gostar da comida.

Um amigo brasileiro me perguntou qual é a comida típica daqui. Eu respondi com uma outra pergunta: você já viu algum restaurante com comida inglesa? Pois é, eu também não e agora entendo o motivo. Em todo o planeta existe restaurante italiano, português, chinês, japonês, etc, etc, etc.

No meu segundo dia encontrei um self service e achei que meus problemas estavam resolvidos... Mal sabia eu que estavam apenas começando. Eu simplesmente olhava para a comida e não conseguia sentir vontade em comê-la e é bom lembrar que eu estava com muita fome. Cadê o frango a parmegiana? O camarão ao catupiry? O feijão preto com arroz? A lasanha de frango? A comida inglesa tem batatas, brócolis e um macarrão que parece miojo.

Após esse segundo almoço, comecei a caminhar pelo centro de Nottingham. De repente, meus olhos brilharam e meu sorriso se abriu com o que vi. E se eu estivesse em um filme, estaria tocando Aleluia no exato momento no qual avistei um McDonalds. A felicidade é fácil de ser compreendida já que arede de fast food norte-americana é um dos poucos lugares do mundo no qual a comida tem o mesmo sabor independente do país. E foi lá que tive a minha primeira refeição descente. E a segunda, assim como a terceira...

Mas eu não podia comer todos os dias no McDonalds e decidi fazer o que deveria ter feito desde o começo: aprender a cozinhar e fazer a minha própria comida. Foi no meio das tentativas de aprender a cozinhar, incluindo receitas baixadas no Google, que as minhas aulas começaram. No horário do almoço deste primeiro dia no campus, decidi arriscar e ver o que a cafeteria da universidade poderia me oferecer. Novamente, ao som de Aleluia, percebi que entre as opções do self-service, haviam opções que me eram bastante familiares: feijão e arroz.

Foi praticamente em câmera lenta e parecia que aquela seria finalmente uma refeição descente. O feijão tinha uma aparência deliciosamente boa. Parecia exatamente igual ao que eu comia diariamente no Brasil. Por esse motivo, coloquei o máximo que pude no meu prato. No espaço que sobrou, coloquei arroz. Peguei, me sentei e, como em um sonho, fui dar a primeira garfada. Foi neste momento que a música parou de forma brusca e a minha expressão fácil foi transformada. E esse foi o dia no qual eu descobri que o feijão na Inglaterra é feito com molho de tomate e por isso, é doce.

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